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sábado, 18 de junho de 2011

A canção das estrelas caídas


   Não enxergo mais sua face querida. Aquela que estava em meu peito todo início de dia, aconchegando-se e chegando mais perto. Apertando-se contra ele como se aquele fosse seu refúgio mais seguro. Deslizando a mão suave, como se ela pudesse traduzir aquele momento tão indescritível. Acho que você ouvia como pulsava forte meu coração naquele instante, não pulsa mais assim hoje.
   Eu te puxava mais pra perto, e eu te sentia por dentro. Não éramos um porque estávamos juntos, éramos um porque os dois corações batiam no mesmo ritmo e dançavam a mesma música e mesmo estando em peitos separados, colidiram-se quando a beijei. E a beijei como se as estrelas fossem cair naquele instante. E caíram.
   À noite andávamos de mãos dadas e parecia que ela tinha sido moldada em nossa história, era ela que compunha aquela canção que cantávamos. Hoje ela se tornou um solo. E seus olhos me contavam histórias, e eu me entregava a eles. Hoje canto essa música para que as estrelas que caíram à leve de volta para você. E as cordas de meu violão desafinaram, e sua doce voz escapa incerta por meu inconsciente.
   Ainda espero a sua resposta. Aquela que você levou junto com meu coração. Querida, você sabe como é difícil pra mim escrever essas palavras, mas elas irão compor a canção que escrevo para você nessa noite silenciosa que nunca deixou de ser nossa. Talvez eu sonhe com a sua resposta, talvez eu já a tenha escutado antes dela ser pronunciada, porque suas palavras moldam meu coração, agora a parede dele está descascando e você não estará mais aqui para dar uma nova mão de tinta.
   Ainda sinto o seu cheiro naquela cama em que sua face ainda pertencia ao meu peito, hoje ele guarda um coração pesado, que canta para você toda noite e ele sabe que você escuta a canção das estrelas caídas. A música querida, essa me consola, porque é você que eu vejo quando fecho os olhos e a deixo deslizar pelas ruas vazias. Porque eu a sinto quando essas palavras chegam a mim silenciosas.  Partem de dentro de mim e voltam como um eco, distante.
   Suas mãos meu amor, essas que me faziam sentir o sol arder por dentro e queimava quando a minha pele tremia de amor. Se eu pudesse traçar um rumo em seu corpo que me levasse até onde sua alma fosse, eu traçaria. Eu poderia seguir suas pegadas, mas essas foram apagadas pelo cruel destino. E hoje só me restou essa canção.
   Anjos do bem não caem do céu, mas querida, você era um. E talvez seja por isso que você voltou para ele, anjos não podem ficar longe de sua casa por tanto tempo. E eles não podem pertencer a um mero mortal, pois é isso que eu sou, um mortal que canta a sua imortalidade.
   Talvez se eu a tivesse segurado com mais força, se meu corpo ainda abraçasse o seu nessa manhã, se seus lábios ainda tremessem desejosos nos meus, eu ouviria sua resposta a luz da lua que pertencia àquela noite. Eu ouviria o ‘sim’ que mudaria a letra dessa canção. Talvez se você estivesse na nossa capela àquela noite e não no seu carro em direção ao que hoje permanece entre nossos corpos, eu ainda sentisse sua face em meu peito e sentisse meu coração pulsar forte ao senti-la.

Postada originalmente no blog: O Silêncio de um Grito.
  

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Do pouco que eu deixei


   Você questionou-me várias vezes, mas suas perguntas nunca tiveram respostas. Eu sumi por algum tempo e enquanto eu dava passos tortos, você mantinha a luz do abajur acesa. E enquanto você ligava, meu celular mergulhava dentro da água da pia de um lugar qualquer. E o que eu fiz de mim enquanto você me amava? Meu amor, foram vidas despejadas.
   Do pouco que eu deixei, foi como se eu não tivesse deixado nada. E dos planos que você fez, eu só despejei migalhas. Do pouco que eu deixei, ficaram um par de meias e meia tonelada de lágrimas. Jarros quebrados e uma maquiagem borrada.
   Do pouco que eu deixei, talvez eu não quisesse levar nada. E eu sei, atrás de mim ficaram metade de palavras revoltadas. Será que eu te amo enquanto o espelho mostra uma face borrada? Será que eu te amei enquanto você chorava? Será que eu deixei menos do que você precisava?
   E eu trouxe uma pele camuflada dentro daquelas velhas almofadas. E eu andei pelas velhas calçadas e mutilei metade das minhas máscaras. Será que eu temia que você não temesse nada? Letras garranchadas no papel da velha carta. Será que eu li todas as suas palavras?
   Será que eu sei que eu sinto mesmo a sua falta?



Novas mudanças foram feitas no Vinte, para mais informações leiam a página: Funcionamento! 
Abreijos.                 

sábado, 28 de maio de 2011

Segredo

 Por que foges assim? 
Ouço a voz que se cala,
Perdida entre milhares 
Daquelas que gritam.

Ciranda de dores
Cantos de amor;
Solitária és tu
Que o doce amargou.

Por que choras assim?
Salgadas elas descem
Passeiam em tua face,
Enquanto o amor cresce.

Apertado, esmagado
Estás por dentro escondido
Tal sentimento negado
Aos próprios ouvidos.

Por que mentes pra si?
Sufoca-se em desespero
Tentativas falhas,
Guardadas em segredo.
És tu só medo?

Postado originalmente no blog: O Silêncio de um Grito. No dia 03/03/2011.

Não são essas minhas primeiras palavras, não foram essas as últimas, mas são únicas e tão mutáveis. São as mesmas de sempre, mas são tão diferentes. São escritas pela mesma mão, mas por pessoas distintas. Todas por mim, algumas sem mim. E que vocês não procurem entendê-las... 
Abreijos!     

terça-feira, 17 de maio de 2011

Metade.


   Não podia! Seria sempre metade de si mesma no espelho. Reflexo torto, inacabado. Havia se entregado demais as pessoas. Havia confiado nelas. Doou-se por inteira e agora é só metade. Metade medo... Metade coragem. Metade alguém. Doou-se tanto ao ponto de ser roubada. Não quiseram devolver a parte doada. Sequestraram sua confiança. Seus sonhos. Deixaram com ela uma realidade. E ela é metade.
   Deixou-se ir... Alma pouco a pouco sendo levada. Ela permitiu um espelho rachado, um coração defasado, um sonho desfeito. Fez-se metade. E chorava... Lágrimas de partes roubadas. Infinitas perguntas acumuladas. Hoje respondidas pela metade.  
   Desfeita. Perdeu-se em suas partes mal feitas. Num lago fundo da futilidade. Perdeu essência, trocou comandos, esqueceu verdades. Ela se fez dúvidas. E caminhou num labirinto de mentiras e vestiu-se delas. E se refez... Mesmo que só metade.
   Armou-se. Vestida de armadura de aço. Espada na mão, coração bem guardado. Subiu num dragão e se fez fogo. Ardente em brasa quente. Misturou-se no âmago da dor. E fez, roubou, gritou. Agora rouba metades, mas as quer como um todo. Metades desfeitas são deficientes a elas mesmas. E como metade, se fez por inteira.

sábado, 7 de maio de 2011

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                     Fogão  de  Lenha.
   Querida mamãe,

   Liguei ontem para seu celular inúmeras vezes até cair na caixa, queria te dar a notícia que te deixaria imensamente feliz. Eu fiquei horas imaginando seu rostinho de felicidade, seu sorriso que já formavam as indesejadas rugas.  Imaginei suas lágrimas de felicidade a cair juntamente com as minhas, que já começaram de hoje. Fiquei imaginando como seria forte nosso abraço de reencontro, depois de tantos anos. Cheguei a sentir o cheiro do velho fogão de lenha. Esse que mesmo depois de anos, a senhora não consegue abrir mão.
   Pois é mamãe, deixei para te fazer uma surpresa, já que seu celular estava desligado ou fora de área. Agora me arrependo amargamente de não ter tentado outras inúmeras vezes. Estou do outro lado do mundo. Meu dia é sua noite, minha noite é seu dia. Mas meu coração ainda possui aquele cordão umbilical com o seu.  
   Acordei tão feliz hoje, mal conseguia respirar quando pensava em te ver depois desses quatro anos de distância. Sabe mamãe, ela às vezes assusta. E por falar em falta de ar, perdi o meu por alguns minutos. Dessa vez não foi de saudade, quisera eu que fosse, estaria prestes a acabar com ela. Eu estaria sentindo aquele seu abraço agora. Talvez eu não o sinta mais.
   Estava saindo de casa, à caminho do aeroporto, sorriso estampado no rosto foi se encolhendo aos poucos quando a terra tremeu embaixo de meus pés. De início achei ser mais um terremoto comum, logo iria passar e eu continuaria andando. Andando em sua direção, ao seu encontro. Mas ele ficou mais forte, parecia que a terra fosse se abrir diante de mim mamãe. E eu chamei por você, mesmo sabendo que a senhora não poderia me socorrer. Imaginei se seu coração não tinha ficado apertado, como nas novelas, pois nesse momento mamãe, uma imensa onda vinha em minha direção, devastadora, cruel. Trazia consigo tudo o que encontrava pela frente, me levaria também mamãe. Corri com todas as forças que eu tive.
   Crianças choravam, estavam todos desesperados. Eu pensei em mil coisas enquanto corria. Obriguei-me a me manter correndo, a onda era mais rápida. Ela me pegou com força mamãe. Aquele baque contra mim me fez lembrar por uma última vez antes de apagar o seu rosto. E eu chorava, mas a água não deixava minhas lágrimas visíveis. Quem as veria naquele instante?
   Acordei presa nos escombros de algo que eu não sei identificar.  Tudo é muito escuro aqui mamãe, e eu sinto muito medo. Minha bolsa estava grudada em meu braço, a apertei com força na hora do desespero, e ela continuou presa a mim. Eu deveria estar morta agora. Não me pergunte como vim parar aqui e muito menos onde é aqui. Apenas uma brecha de luz onde encosto esses papéis úmidos de meu diário, que por sorte se mantinha naquela caixa de ferro que a senhora me deu, para tentar escrever essas palavras, que espero de coração que não esteja lendo. Isso significaria que eu mesma não pude pronunciá-las. Isso significaria que eu não poderia ter te abraçado.
   Minha cabeça gira, minhas pernas doem como se um trator as estivesse esmagado. A respiração é ácida, doe até escrever, mas isso eu faço por que preciso que saiba que era para eu estar aí, ao seu lado. Comendo o feijão do velho fogão de lenha.
   Caso esteja lendo essas palavras, sua filha estará agora em um lugar desconhecido por todos nós. Sua filha será considerada mais uma vítima da catástrofe do Japão. Eu serei uma vítima do grito de retorno da natureza, esse que mesmo silencioso causa a dor que agora eu sinto, e que a senhora pode estar sentindo ao ler essas palavras também. Talvez essa seja a hora de cortar o cordão umbilical.
   Mas, saiba que sempre senti falta do cheiro de seu feijão, de suas reclamações, de seu sorriso, do cheiro de alfazema que a senhora emanava pela sala, do café quentinho toda tarde, das cantigas que a senhora sempre cantarolava ao fazer o almoço. Sentirei falta do abraço que não pude ter. Por que te amo mamãe, desde quando eu era apenas um serzinho em sua barriga, tão aconchegante.
   Se estiver lendo essas palavras, me perdoe pelos netinhos que não pude dar, pelos abraços que não foram concretizados nesses quatro anos, por não ter ficado aí, junto ao fogão de lenha e ao bule de café. Mãe eu estava levando um perfume de alfazema comigo, e agora eu o passo em mim, porque se for pra partir, que seja com o seu cheiro.
   Sentirei falta dos pãezinhos de queijo. Te amo muito mamãe, e isso nunca morrerá.

De sua filha querida.


Postado originalmente no blog: O Silêncio de um Grito

Inspirada em: Fogão de Lenha- Pe. fábio de Melo.

Confesso estar entre as lágrimas agora. Não sei você caro leitor, mas só de imaginar em perder minha mãe, faz meu coração inundar-se profundamente em desespero.Beijos e doces.


terça-feira, 3 de maio de 2011

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Chamaram-me
 
 

   Chamaram-me de criança e eu brinquei. Naquele instante o mundo poderia acabar, pois eu estaria completa.
   Chamaram-me de insana e eu perdi a sensatez. Naquele instante o mundo poderia acabar, pois não existiria uma razão que me fizesse acreditar que viver é bom.
   Chamaram-me de contradição e eu impus avessos, palavras distintas. Naquele instante o mundo poderia acabar, pois não há vida sem morte.
   Chamaram-me de duas caras e eu usei máscaras. Naquele instante o mundo poderia acabar, pois uma de minhas faces sobreviveria.
   Chamaram-me de meu amor e eu acreditei. Naquele instante o mundo poderia acabar, pois um coração já havia se afogado na desilusão.
   Chamaram-me de agressiva, egoísta e eu bati, recusei. Naquele instante o mundo poderia acabar, pois uma alma já foi distorcida.
   Chamaram-me de Poeta e eu escrevi, brinquei, enlouqueci, caí em contradição, usei máscaras, amei, bati. Naquele instante o mundo não poderia acabar, pois eu já havia construído outro.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Bem-vindos


   Eu gostaria de inaugurar o blog desejando um doce BEM-VINDO!
   Aqui será um espaço para que nós, acadêmicos do primeiro período do curso de Letras Vernáculas da Uneb, possamos publicar idéias, textos, cartas, poemas, poesias, contos, piadas, resenhas, resumos, frases, pensamentos e devaneios em geral. Também servirá como um meio de comunicação, uma forma de nos mantermos mais próximos.
   Bem, sem mais delongas. Outros esclarecimentos sobre o blog, título e afins nos será publicado numa página do mesmo pelo nosso colega Diego- encarregado de tal função- até o dia 24/04/2011. Até lá, toda a estrutura do blog estará sujeita a modificações pelos integrantes- que não são poucos- do mesmo.
   Alguma dúvida? Caso apareça alguma é só entrar em contato com um dos já integrantes do blog, as informações para contato estarão na página “Encontre-nos”.  No mais é isso. Sintam-se à vontade. O blog é de vocês. 

Jay!

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