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segunda-feira, 13 de junho de 2011

Do pouco que eu deixei


   Você questionou-me várias vezes, mas suas perguntas nunca tiveram respostas. Eu sumi por algum tempo e enquanto eu dava passos tortos, você mantinha a luz do abajur acesa. E enquanto você ligava, meu celular mergulhava dentro da água da pia de um lugar qualquer. E o que eu fiz de mim enquanto você me amava? Meu amor, foram vidas despejadas.
   Do pouco que eu deixei, foi como se eu não tivesse deixado nada. E dos planos que você fez, eu só despejei migalhas. Do pouco que eu deixei, ficaram um par de meias e meia tonelada de lágrimas. Jarros quebrados e uma maquiagem borrada.
   Do pouco que eu deixei, talvez eu não quisesse levar nada. E eu sei, atrás de mim ficaram metade de palavras revoltadas. Será que eu te amo enquanto o espelho mostra uma face borrada? Será que eu te amei enquanto você chorava? Será que eu deixei menos do que você precisava?
   E eu trouxe uma pele camuflada dentro daquelas velhas almofadas. E eu andei pelas velhas calçadas e mutilei metade das minhas máscaras. Será que eu temia que você não temesse nada? Letras garranchadas no papel da velha carta. Será que eu li todas as suas palavras?
   Será que eu sei que eu sinto mesmo a sua falta?



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Abreijos.                 

terça-feira, 3 de maio de 2011

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Chamaram-me
 
 

   Chamaram-me de criança e eu brinquei. Naquele instante o mundo poderia acabar, pois eu estaria completa.
   Chamaram-me de insana e eu perdi a sensatez. Naquele instante o mundo poderia acabar, pois não existiria uma razão que me fizesse acreditar que viver é bom.
   Chamaram-me de contradição e eu impus avessos, palavras distintas. Naquele instante o mundo poderia acabar, pois não há vida sem morte.
   Chamaram-me de duas caras e eu usei máscaras. Naquele instante o mundo poderia acabar, pois uma de minhas faces sobreviveria.
   Chamaram-me de meu amor e eu acreditei. Naquele instante o mundo poderia acabar, pois um coração já havia se afogado na desilusão.
   Chamaram-me de agressiva, egoísta e eu bati, recusei. Naquele instante o mundo poderia acabar, pois uma alma já foi distorcida.
   Chamaram-me de Poeta e eu escrevi, brinquei, enlouqueci, caí em contradição, usei máscaras, amei, bati. Naquele instante o mundo não poderia acabar, pois eu já havia construído outro.

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