As vezes, parado nas madrugadas, deparo-me com momentos alucinantes, sinto minhas pernas tremerem com o frio de uma noite gelada, meu algoz para, sinto alguém ao meu lado em pé e parado, vestido de branco, sufoco-me aos travesseiros, procuro reagir em meio ao manto aquecido e esquecido das tempestades que caem lá fora, do brilho que vejo do outro lado do quarto, da emoção que sinto em meu corpo, do excesso de adrenalina produzido que emerge e sobe até a cabeça, meu cérebro não reage, estou estagnado pronto para o golpe final, será mesmo a morte? Morte que vem em momentos tão fúteis. Não! Ainda não é a morte, tenho tempo para reagir. Meu coração acelera ferozmente ao pulo de um punhal, que rasga meu peito aos prantos do sangue derramado! Mas não sinto dor, sinto prazer em uma espécie de frenesi... talvez! É como saltar de uma ponte, sabendo que lá em baixo há um rio caudaloso a sua espera, no momento de um voo em que você fecha os olhos para chegar e mergulhar. Agora só me resta acordar e chorar.





